quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O Adepto - parte 8

Alebrian poderia morar na estalagem, e fazer seus serviços de curandeiro num local fixo. Parecia uma boa opção. Afinal, diminuiria seus gastos e não precisaria pagar o aluguel de uma residência. Alânya estava acostumada a morar ali.

Ficar ali atrapalharia tudo. Não conseguiria aprender o Poder, pois seu acesso à magia ali seria mínimo. Continuaria viajando, deixando um bom dinheiro com a futura esposa e com o tio dela. Assim, calaria a boca do velho.

Fez a festa do casamento, recebeu as bênçãos de Binah (deusa-mãe) e Chochmah (deus-pai), dois poderosos deuses do Panteão dos povos livres. Os dez deuses adorados pelo povo tinham variados aspectos.

Meses depois, tinha juntado bastante ouro. O suficiente para viajar uns meses e deixar Alânya bem alicerçada financeiramente. Tinha salvo a vida do filho mais novo de um banqueiro de uma vila vizinha, então estava rendendo juros de empréstimo a seu favor, com o depósito do ouro. O que aquietou seu espírito foi ver que a mulher não estava grávida e que o banqueiro ia fornecer o dinheiro para ela sem problemas.

Malas de viagem prontas e cavalo comprado. Sua última noite de amor com sua esposa, que horas depois chorava por sua partida... E muitos do povo choravam juntos, por ficarem sem o curandeiro tão habilidoso que vivia ali.

Depois de quatro dias de viagem, encontrou três mulheres vestidas de preto, andando em direção a um pântano fétido. Provavelmente magas, ou sacerdotizas. Chamou-as e se apresentou como curandeiro e mago. Os rostos delas estavam envoltos em véus, e os olhos delas demonstravam uma idade madura. Conversaram, e perceberam, ambas as partes, que tinham o que oferecer um ao outro.

Ia se iniciar um comércio mágico.

De início, discutiram o que queriam cada uma das partes. Elas eram bruxas, especialistas em magias que controlavam o corpo dos humanos e de animais. Ele poderia oferecer algo difícil para elas, que era a magia dos elementos. Mais de três horas de conversas e negociações, até que chegaram num acordo: Alebrain daria a elas a oportunidade de copiar o grimório dele, enquanto ele poderia copiar o grimório delas.

Escureceu, e foram para a cabana delas. Alebrian começou a copiar o grimório delas, enquanto elas copiavam o dele. Madrugada à dentro, percebeu que elas tinham ido dormir. Em momento algum ele viu o rosto delas. Como ele estava acabado de sono, juntou suas coisas num canto, deixou o cavalo preso no lado de fora da cabana e foi dormir lá dentro.

Pensou em sua Alânya. Seus cabelos encaracolados ruivos, que ele passava os dedos... seu corpo nu, tão lindo... o calor que sentia com ela, emaranhado em seus braços e pernas... sentia o prazer inenarrável em seu membro masculino.

Unhas passavam em seu peito quase sem pêlos. Mas ela não tinha unhas grandes. Foi acordando aos poucos, e percebeu que uma das bruxas estava sobre ele, tendo sexo com ele. Não sabia o que fazer. Olhava para ela, e como estava vestida e com véu, imaginou sua Alânya no lugar. Teve um clímax em poucos minutos.

Fingindo que nada aconteceu, terminou a cópia, guardou seu grimório e saiu se despedindo rapidamente. Tinha angariado mais Poder, mas não sabia se sofreria alguma maldição pelo momento íntimo que teve com a bruxa. Seu coração apertava tanto que parecia que estava encolhendo. Pensava em sua esposa, e a traição à ela que ele tinha cometido. Era um adúltero.

Começou a pensar... o trajeto sobre um campo verde, sem nada para fazer ou ver, deu um tempo à ele para pensar. Ele imaginou estar com a esposa... sonhou com ela, e fingiu que estava com ela enquanto a bruxa tinha relação com ele. Ele não deixou de pensar na esposa. Ele não tinha traído ela. Foi um escape ao seu desejo natural, pensando em Alânya.

Alebrain chegou à conclusão que não estava errado. Ele nunca deixou de pensar na sua mulher, mesmo com a bruxa. Ele não a traiu, nem causou mal a ninguém. Cada vez mais, ele encontrava justificativas para seus atos. Afinal, como membro da Luz, ele não poderia ser julgado por ninguém. No futuro, com os resultados de sua procura, com o Poder, tudo estaria justificado.

Ele seria julgado pelo futuro, e não pelo presente.

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