Um mês de estudo é o suficiente para se aprender os rudimentos de um
assunto. Trabalhava como curandeiro em cada vila que passava,
hospedava-se e comia o que tinha de melhor (o que, normalmente, não era
grande coisa) e se infurnava no grimório.
Esse grimório não o
serviria por muito tempo. Precisava arrumar outro, para quando
terminasse de lê-lo. Enquanto aprendia novos feitiços, foi atendido na
estalagem por uma moça.
Cabelos ruivos, olhos verdes, pele
levemente sardenta. Corpo de uma jovem de quinze anos. Já devia estar
casada há uns dois ou até três anos. Seu corpo indicava que seu primeiro
sangramento de mulher foi aos onze ou doze anos. Seus estudos de
anatomia estavam avançados. Eram necessários para aprender magias de
cura. E outras magias mais incomuns.
Seu coração batia mais
forte, quando a atendeu. Ela falava com uma certa gagueira, uma
hesitação. Seu sotaque era do sul. Devia estar ali há pouco tempo. No
sul as pessoas se casam mais tarde. Ela devia ser solteira. Enquanto ela
falava o que tinha para o almoço do dia, ele sentiu um calor no
pescoço. Olhou para a janela. Não tinha ninguém. Poderia ser alguém
querendo pegá-lo com um feitiço...
Seu membro masculino estava se
avolumando. Normal para um homem. Afinal, todos os homens nasceram para
desposar mulheres. Ele notava seu decote o tempo todo. Não era um
grande decote, mas parecia ser o suficiente naquele momento.
Ele a
interrompeu dizendo-lhe como ela era bonita. Ela só avermelhou a face, e
passou a mão no pescoço. Ela tentou continuar, mas ele a olhou nos
olhos como ela nunca tinha sido olhada. E começou a realizar um feitiço
para atingir suas emoções. Ela ficou paralisada, com um rosto de
indiferença.
Alebrian colocou-a na cama, e fez aquilo que ele só
tinha visto uma vez, quando espiou um mestre da sua Ordem com uma mestre
novata. A sensação mais forte que já tinha sentido até aquele dia. O
feitiço tinha acabado, mas ela continuou ali por vontade própria.
Passaram cerca de quinze minutos. Escorria um filete de sangue na coxa da moça ruiva. Ou melhor, da mulher ruiva.
Ela
se vestia rápido, como quem percebe que deixou afazeres importantes.
Ninguém podia suspeitar de nada. Ela desceu sem falar nada com ele.
Alebrian sentia paixão. Amor. Não sabia. Não estava muito cansado, mas
sentia uma dor leve no ventre. Parecia que tinha usado músculos que
jamais usava.
Sorria sozinho. Estava apaixonado. Pensou estar amando.
Mas ele não podia violar a lei do casamento!
Arrumou
tudo, e foi decidido para baixo. O correto a se fazer é casar-se. Ele
deveria pedir a mão dela em casamento. Desceu, e notou um silêncio na
cozinha, atrás do balcão. Uns berros que ele não entendeu, mas pela
sombra na cortina, viu o estalajadeiro colocando o dedo no rosto da
menina ruiva. Ele nem sabia o nome dela. Mas a conheceu de uma forma que
só ele conheceria.
O estalajadeiro veio com uma faca. Olhou
ferozmente para as pessoas. Quando notou Alebrian no recinto, gritava
"desgraçado!" e partiu para cima de Alebrian com a faca. Ambos caíram no
chão, quebrando uma mesa no caminho. Alebrian não conseguia deter a
força do braço do estalajadeiro, e gritava, enquanto tentava se desviar,
que ia reparar tudo. Berrava que a amava, e que se casaria com ela.
O
estalajadeiro levantou-se, babando de fúria. Tentou controlar a
respiração. A mulher olhava-o com pena, escorada no umbral da porta da
cozinha. Uma lágrima descia do seu olho direito. Seu lindo olho verde.
Alebrian, olhando para ela, levantou-se ainda com medo, enquanto
percebia que não havia mais ninguém dentro da estalagem.
O
estalajadeiro entrou na cozinha quase arrancando a cortina que a
separava do balcão, e jogou a faca no chão, com toda a força. Pela lei
do reino de Yonjar, um pedido de casamento anula o crime de conjunção
carnal com mulher virgem. E um pedido só pode ser rejeitado se quem o pede for um criminoso conhecido, ou se a moça não quiser casar-se.
Alebrian era bem visto ali e nas vilas próximas, por ser um curandeiro
que cobrava tão barato. E era o homem da vida da moça ruiva. Por causa
dele, ela era uma mulher agora. Ele virou um homem.
Não tinha
onde morar. Estava fazendo uma viagem para adquirir poder. Estava
apaixonado. Precisava salvar as pessoas. Estava apaixonado. Isso
atrapalharia seus planos. Estava apaixonado.
Levaria a mulher
ruiva com ele na viagem, depois do casamento. Depois de umas horas,
enquanto conversava com o estalajadeiro, descobriu que o nome da
sobrinha sulista dele era Alânya. Sua mulher tinha um nome lindo. Estava
pronto para se tornar um homem. Mas lembrou-se do grimório roubado que
estava lá em cima. Voltou a estudar, pois precisava adquirir poder.
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
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