quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O Adepto - parte 7

Um mês de estudo é o suficiente para se aprender os rudimentos de um assunto. Trabalhava como curandeiro em cada vila que passava, hospedava-se e comia o que tinha de melhor (o que, normalmente, não era grande coisa) e se infurnava no grimório.

Esse grimório não o serviria por muito tempo. Precisava arrumar outro, para quando terminasse de lê-lo. Enquanto aprendia novos feitiços, foi atendido na estalagem por uma moça.

Cabelos ruivos, olhos verdes, pele levemente sardenta. Corpo de uma jovem de quinze anos. Já devia estar casada há uns dois ou até três anos. Seu corpo indicava que seu primeiro sangramento de mulher foi aos onze ou doze anos. Seus estudos de anatomia estavam avançados. Eram necessários para aprender magias de cura. E outras magias mais incomuns.

Seu coração batia mais forte, quando a atendeu. Ela falava com uma certa gagueira, uma hesitação. Seu sotaque era do sul. Devia estar ali há pouco tempo. No sul as pessoas se casam mais tarde. Ela devia ser solteira. Enquanto ela falava o que tinha para o almoço do dia, ele sentiu um calor no pescoço. Olhou para a janela. Não tinha ninguém. Poderia ser alguém querendo pegá-lo com um feitiço...

Seu membro masculino estava se avolumando. Normal para um homem. Afinal, todos os homens nasceram para desposar mulheres. Ele notava seu decote o tempo todo. Não era um grande decote, mas parecia ser o suficiente naquele momento.

Ele a interrompeu dizendo-lhe como ela era bonita. Ela só avermelhou a face, e passou a mão no pescoço. Ela tentou continuar, mas ele a olhou nos olhos como ela nunca tinha sido olhada. E começou a realizar um feitiço para atingir suas emoções. Ela ficou paralisada, com um rosto de indiferença.

Alebrian colocou-a na cama, e fez aquilo que ele só tinha visto uma vez, quando espiou um mestre da sua Ordem com uma mestre novata. A sensação mais forte que já tinha sentido até aquele dia. O feitiço tinha acabado, mas ela continuou ali por vontade própria.

Passaram cerca de quinze minutos. Escorria um filete de sangue na coxa da moça ruiva. Ou melhor, da mulher ruiva.

Ela se vestia rápido, como quem percebe que deixou afazeres importantes. Ninguém podia suspeitar de nada. Ela desceu sem falar nada com ele. Alebrian sentia paixão. Amor. Não sabia. Não estava muito cansado, mas sentia uma dor leve no ventre. Parecia que tinha usado músculos que jamais usava.

Sorria sozinho. Estava apaixonado. Pensou estar amando.

Mas ele não podia violar a lei do casamento!

Arrumou tudo, e foi decidido para baixo. O correto a se fazer é casar-se. Ele deveria pedir a mão dela em casamento. Desceu, e notou um silêncio na cozinha, atrás do balcão. Uns berros que ele não entendeu, mas pela sombra na cortina, viu o estalajadeiro colocando o dedo no rosto da menina ruiva. Ele nem sabia o nome dela. Mas a conheceu de uma forma que só ele conheceria.

O estalajadeiro veio com uma faca. Olhou ferozmente para as pessoas. Quando notou Alebrian no recinto, gritava "desgraçado!" e partiu para cima de Alebrian com a faca. Ambos caíram no chão, quebrando uma mesa no caminho. Alebrian não conseguia deter a força do braço do estalajadeiro, e gritava, enquanto tentava se desviar, que ia reparar tudo. Berrava que a amava, e que se casaria com ela.

O estalajadeiro levantou-se, babando de fúria. Tentou controlar a respiração. A mulher olhava-o com pena, escorada no umbral da porta da cozinha. Uma lágrima descia do seu olho direito. Seu lindo olho verde. Alebrian, olhando para ela, levantou-se ainda com medo, enquanto percebia que não havia mais ninguém dentro da estalagem.

O estalajadeiro entrou na cozinha quase arrancando a cortina que a separava do balcão, e jogou a faca no chão, com toda a força. Pela lei do reino de Yonjar, um pedido de casamento anula o crime de conjunção carnal com mulher virgem. E um pedido só pode ser rejeitado se quem o pede for um criminoso conhecido, ou se a moça não quiser casar-se. Alebrian era bem visto ali e nas vilas próximas, por ser um curandeiro que cobrava tão barato. E era o homem da vida da moça ruiva. Por causa dele, ela era uma mulher agora. Ele virou um homem.

Não tinha onde morar. Estava fazendo uma viagem para adquirir poder. Estava apaixonado. Precisava salvar as pessoas. Estava apaixonado. Isso atrapalharia seus planos. Estava apaixonado.

Levaria a mulher ruiva com ele na viagem, depois do casamento. Depois de umas horas, enquanto conversava com o estalajadeiro, descobriu que o nome da sobrinha sulista dele era Alânya. Sua mulher tinha um nome lindo. Estava pronto para se tornar um homem. Mas lembrou-se do grimório roubado que estava lá em cima. Voltou a estudar, pois precisava adquirir poder.

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