quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O Adepto - parte 5

Quando estamos com uma idéia fixa, só há duas maneiras de tirá-la da cabeça: trabalhar na idéia ou trabalhar no oposto da idéia.

Durante sua pena (que afinal, não era tão pesada de acordo com Alebrian), ele pode pensar em como adquirir poder de uma forma mais fácil. Lembrou que existiam elixires alquímicos que davam poderes. Lembrou que existiam magias que criavam itens mágicos que poderiam funcionar indefinidamente. Lembrou que era possível até "colocar" feitiços na própria pessoa, permanentemente.

Tudo era difícil, trabalhoso, demorado. Ele tinha que adquirir poder rapidamente, para poder sair da Grã-Ordem das Quatro Cores. Enquanto estudava magias elementais (aprendia uma ou duas por mês), seus estudos de taumatologia mostravam que existiam feitiços capazes de aumentar o poder do mago, sugar a energia dos outros magos, diminuir a capacidade de usar magia e até anular essa capacidade.

Praticamente todas essas magias eram Magia Negra. Ele era proibido.

Proibido pela Ordem da Luz Interior, proibido pela Grã-Ordem das Quatro Cores, proibido pela moral, proibido pela sua consciência.

Ele não podia trair tudo e todos.

Mas estar ali parecia errado. Ele merecia a pena correta. Se ele recebia uma pena diferente, então ele estava ali, cumprindo pena, pelo motivo errado. Não era certo ele estar ali, com esse raciocínio.

Um mês só pensando nesta hipótese.

Ele ia embora de vez. Aprendeu algumas mágicas, nos meses que ficou. Os rudimentos das magias elementais estavam na sua mente. Sua jornada seria mais fácil a partir de agora. Pegou um grimório para si. Era de um dos muitos mestres de magia elemental dali. Não era crime. Ele iria ajudar pessoas. Precisava de poder para ajudar pessoas. Precisava de conhecimento mágico para adquirir poder. O grimório não faria falta para o mestre de magia dele. Afinal, ele precisava do poder para ajudar várias pessoas. O valor de várias pessoas era superior ao valor de um só, o seu mestre. E Alebrian, em sua mente, dizia para si mesmo que ele era o símbolo das pessoas. Só ele faria o melhor.

Anoiteceu. Pegou a tornozeleira de Ferro-Frio que ficava presa nele (e o impedia de fazer magias) e bateu com uma barra de aço até que se amolecesse. o Ferro-Frio, por não ter sido temperado no fogo de uma forja, era mais quebradiço. Arranhou a perna, mas fez uma pequena magia de cura para resolver. As ovelhas, as galinhas e os bois eram suas únicas testemunhas.

Usou um feitiço que tinha aprendido no mês anterior, para que pudesse andar no ar. Abrir um buraco na rocha não era totalmente impossível, mas ele ainda não tinha aprendido essa magia. Nem seria seguro. Se houvesse guardas do lado de fora dos muros, poderiam pegá-lo.

Subia em degraus invisíveis, feitos do próprio ar. Olhava em volta para saber se alguém o tinha percebido. Ficou imóvel quando um guarda se voltou para a direção dele. Prendeu a respiração até o quanto aguentou. Sentiu a cabeça zonza... precisava respirar.

O guarda continuou seu caminho. Alebrian recobrou a respiração e continuou. Seu feitiço acabaria o efeito.

Enfim, estava do lado de fora. Por pouco não caiu no chão. O efeito da mágica terminou quase exatamente ao colocar o pé esquerdo no chão. Então lembrou-se que tinha deixado suas coisas lá dentro. Só o grimório que ele tinha se apropriado estava com ele, preso por dentro da roupa.

Ele nunca foi bom planejando. Ele lembrava de umas coisas, e esquecia de outras.

Deixou para lá. Podia fazer alimentos a partir do nada. Podia curar a si mesmo e aos outros. Não tinha dinheiro, mas poderia trabalhar para arrumar algumas moedas rapidamente. Ele podia ser um curandeiro em qualquer vila. Os doentes sempre existem. Os pobres sempre existem.

Estava morrendo de sono. Já caminhava há uma hora pelo campo, e ouvia ruídos estanhos. Com certeza animais pequenos e inofensivos. Alebrian pensava nisso, pois era mais tranquilizador.

Ficou numa gruta vazia. Dormiu no chão. Teve uma noite sem sonhos.

De manhã, faz uma mágica para criar alimento. Em direção a uma vila próxima, apresentou novamente seus préstimos como curandeiro. Cobrava apenas uma moeda de cobre pelo serviço. Procurou uma estalagem e alugou o quarto mais confortável, graças ao dinheiro que conseguiu com os socorros que prestou. À noite, pegou o grimório e começou a estudar. Precisava aprender a sugar a energia vital dos inimigos. Só faria isso naqueles que ele sabia serem maus. Ele ia adquirir poder para si. Ele tinha que ter mais poder. Precisava de mais.

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